Desde que houve a fatalidade com a ciclista Márcia Prado na Paulista, muitas manifestações, homenagens, muitas matérias em jornais, revistas, blogs, minutos de silencio, bicicletadas, reflexões, e até uma forma de memorial foi erguido na paulista em sua homenagem, uma bicicleta branca, ou ghost Bike como gostam de falar, com fotos e flores sempre renovadas para não deixar cair em esquecimento este acontecimento e relembrar com carinho e admiração a vida desta cidadã.
Uma destas homenagens é o Projeto de Lei 256/2009 que tramita na Câmara Municipal de São Paulo que “Institui a criação da rota ciclo-turística “Márcia Prado” na região entre o Grajaú e Ilha do Bororé, passando pela A.P.A, Aréa de Proteção Ambiental Bororé - Colônia, no Município de São Paulo.”
O projeto diz o seguinte:
Fica instituída a rota de ciclo-turismo “Márcia Prado”, que propõe a criação de um roteiro turístico ciclo-viário entre o Bairro do Grajaú e Ilha do Bororé, passando pela região da A.P.A - Área de Proteção Ambiental Bororé - Colônia.
A rota ciclo-turística de que trata esta Lei consiste na criação de um roteiro de ciclo-turismo, através de ciclovia, ciclo-faixa, tráfego compartilhado e sinalização viária necessária, que permita o trânsito seguro de turistas com sua bicicleta, iniciando na Estação Grajaú da CPTM, seguindo pela Avenida Dona Belmira Marin, atravessando a primeira balsa, seguindo pela Estrada Velha do Bororé, Estrada de Itaquaquecetuba, atravessando a segunda balsa, e seguindo pela Estrada de Itaquaquecetuba até atingir o limite com o Município de São Bernardo do Campo.
A rota de ciclo-turismo “Márcia Prado”, deve ser inserida no calendário oficial de eventos turísticos, esportivos e de lazer do município e contribuir para promover e divulgar o desenvolvimento turístico, cultural, ecológico, econômico, social e sustentável da região.
E a justificativa apresentada pelo Verador Chico Macena para este projeto foi:
“Desde que foi criada, a APA Bororé-Colônia, através da lei municipal de nº 14.162 de 24 de maio de 2006, a região tem se mostrado, juntamente com sua vizinha, a APA Capivari-Monos, como um promissor pólo de eco-turismo. A região tem potencial para a criação de atividades e roteiros que atraiam visitantes e turistas, tanto interno, de dentro no nosso município, quantos externos, provenientes de outros estados, e até países, que vêm conhecer e participar de roteiros existentes na região como a pesca, caminhada, passeios por trilhas a cavalo e a pé, de barco, de bicicleta, de jipe, arvorismo, tirolesa, e outras atividades de contato com a natureza. A criação desta rota de ciclo-turismo vem solucionar uma demanda que já existe na região. Praticantes de ciclismo e ciclo-turismo, há muito tempo já descobriram o rico potencial oferecido pela região a esta modalidade, suas paisagens, a receptividade e simpatia dos moradores, fazendo deste, o trecho inicial de suas ciclo-viagens com destino as trilhas e caminhos da Ilha do Bororé, a região de Riacho Grande em São Bernardo do Campo, e ainda, alguns iniciam suas viagens de ciclo-turismo nesta região com destino até o litoral. A oficialização desta rota implicará a criação de infra-estrutura de sinalização e o mapeamento de roteiros secundários, os quais poderão ser integrados ao posto de atendimento ao turista, com inclusão no calendário oficial de roteiros turísticos do município. Tendo seu início a partir da estação de trem ou das vias principais, promove a acessibilidade e a segurança dos ciclistas, por meio de instalação de ciclovia, ciclo-faixa, ou tráfego compartilhado. Além disso, promoverá a educação ambiental ao permitir estabelecimento de convênios com associações de turismo receptivo na região e outras ações de integração, trazendo apenas benefícios a sociedade. Mais visitantes ao pólo de turismo receptivo ecológico já existente na região, atrairá novos recursos e desenvolvimento social, criando novos serviços, promovendo a preservação da fauna e flora local e a consciência ecológica.
Nascida em São Paulo, na data do dia 17 de Novembro de 1968, ciclista urbana experiente, Márcia Regina de Andrade Prado, que dá o nome de “Márcia Prado” a rota ciclo-turistica proposta, havia trocado seu carro por uma bicicleta como uma forma de ajudar o meio ambiente, ajudar na fluidez da cidade, melhorar sua qualidade de vida, e contribuir para melhorar a qualidade de vida de todos. Deslocava-se por toda a cidade de bicicleta para o trabalho, lazer, compras, e dia a dia. O seu exemplo mostrou que dá pra viver melhor, e que a cidade tem opções de mobilidade. Ciclo-ativista, participante do movimento Bicicletada, defendeu mais espaços para a mobilidade por bicicleta na cidade e o uso da bicicleta, defendia um sistema ciclo-viário prático, seguro e funcional, pregava o respeito aos ciclistas, pedestres, e uma melhor educação e cordialidade entre motorizados e não motorizados. Participava de manifestações que defendiam os direitos de ciclistas e pedestres, e sempre incentivava quem pretendia conquistar e garantir seus direitos. Uma verdadeira ciclo-ativista, que reivindicava sempre, e para todos, o dever do Estado e do Município de cuidar dos mais fracos no trânsito. Junto com seus amigos, lutava para que fosse criada esta rota de ciclo-turismo, que no futuro, proporcionasse um forma segura para ciclistas se locomoverem entre São Paulo e o Litoral.
Márcia Regina de Andrade Prado faleceu em 14 de janeiro de 2009, atropelada na Avenida Paulista por um ônibus. Sua morte foi de grande simbolismo, repercutida em toda a imprensa. Recebendo homenagens de ciclistas de muitas cidades do Brasil, até do exterior, por conta do seu ativismo por uma cidade melhor. Seu nome nesta rota ciclo-turistica é uma justa homenagem da cidade, por sua luta.”
Eu particularmente gostei muito deste projeto, ele tem uma proposta interessante de alem de oferecer a região mais uma forma de atração , ainda homenageia uma pessoa com uma bela historia de cicloativismo . Decidi então conhecer a rota e tirar umas fotos.
O início da rota é na estação Grajaú da CPTM, a 770 metros de altitude, pedalando até o fim da rota, na segunda balsa, dá 14 km, o desnível acumulado é de 65 metros, e o ponto mais alto da rota fica a 815 metros de altitude.
É um passeio para todas a idades, o único ponto de maior atenção é no perímetro urbano entre a Estação Grajaú e a primeira balsa, que o ciclista compartilha a via com o transito local. Uma vez dentro da Ilha do Bororé o passeio é super tranqüilo, e se informando no posto da Guarda Civil Ambiental ou no Posto de Atendimento ao Turista, pode-se conhecer e fazer outros roteiros a partir da Ilha, como visita-se a Florarte, uma propriedade rural que cultiva cogumelo shimeji, a histórica Igreja de São Sebastião, o Sítio Paiquerê com trilha em meio a mata atlântica secundária onde é possível conhecer um ninhário de garças às margens da Represa Billings, percorrer a represa de escuna até chegar na aldeia indígena Krukutu para conhecer a cultura tradicional guarani, alugar cavalos, passeios de jipe, e outros roteiros. E ainda dá pra pedalar mais uns 15 km e chegar até o Riacho Grande, Clube Estoril, ou seguir mais alguns kilometros para conhecer o Caminhos do Mar, ou seja, a região tem um potencial de opções e atrativos turísticos bem interessante.
Márcia Prado” a rota ciclo-turistica proposta, havia trocado seu carro por uma bicicleta como uma forma de ajudar o meio ambiente, ajudar na fluidez da cidade, melhorar sua qualidade de vida, e contribuir para melhorar a qualidade de vida de todos. Só por esse exemplo o projeto deveria ser APROVADO e com urgência.
conheci a Marcia desde pequena, e ela sempre foi uma menina e depois uma adulta muito determinada e ativa. Esse roteiro tem tudo a ver com ela parabens pela iniciativa .Fiquei muito feliz de saber que ela estara sendo lembrada com um projeto tão " a cara dela"
O determinismo militante da Marcia deve ser util. Para a comunidade, para a evolução das mentalidades, para a preocupação com a segurança dos ciclistas e para o meio-ambiente. Ele se insere nas tendências que devem nos ajudar à ir adiante. Este projeto deve ser APROVADO com urgência.
Marcia era uma pessoa que amava São Paulo. Amava tanto que deixou seu carro, depois sua moto, e começou a pedalar como uma tentativa para ajudar a cidade que ela tanto amava. Nada mais justo do que esta homenagem. Tenho curiosidade em saber quantos paulistanos cuidam verdadeiramente de São Paulo como ela cuidava.
Mais do que justo! Uma homenagem, um registro. A Márcia perdeu a vida pedalando... pedalava por prazer e para contribuir contra o caos de São Paulo... Quem ama cuida!
Como primo e amgo, posso depor que a Marcinha foi uma VENCEDORA. Sua luta não foi em vão. Importante !!! Seu grito PACIFISTA deixou uma marca muito forte, que seus companheiros e amigos de byke, cooptaram e estão defendendo muito bem, com muito denodo !!! Parabéns e vamos à luta, pois, infelizmente, as boas coisas neste país, só são conqustadas com muita luta, muitas perdas e sacrifícios. Espero que esta reinvindicação seja ouvida por nossasautoridades, sem necessidade de mais sacrifícios humanos. Abraços a todos !!! Carlos Artur de Andrade
Realizei com muitas outras pessoas a Rota no sábado dia 19 de dezembro e realmente a idéia (seus fundamentos e propostas), o local, o espírito de camaradagem e o meio ambiente são fantásticos. Já estou recomendando a amigos adeptos do cicloturismo para conhecerem. Parabéns e que a vontade floresça e dê muitos frutos.