Gigante Adormecido PDF Imprimir E-mail

Encarando o Gigante Adormecido de Joanópolis

  Estávamos eu e o Igor em Bragança quando a Adriana Thompson lançou o convite para subirmos o gigante adormecido de Joanópolis, topamos, fizemos um tópico na comunidade BORA PRA TRILHA??? convidando amigos para irem conosco, marcamos data para um sábado que seria jogo do Brasil com a França pela copa do mundo, e na data lá estávamos nos no coreto da praça de Joanópolis esperando os que garantiram que iriam conosco, a maioria faltou por causa do jogo, guardamos o carro no local em que a Isabel trabalhava, almoçamos no restaurante da Debby, botamos as mochilas nas costas e partimos em direção ao gigante, inicialmente iríamos por uma trilha, mas como não contávamos com a presença da nossa guia Adriana, o  William Renato, morador de Joá, assumiu o comando do grupo e seguimos pela estrada que vai para Extrema/MG, saímos da cidade as 15 horas, o plano era pernoitar em barraca na rampa de asa delta as 22 horas, já estávamos preparados psicologicamente que a caminhada seria longa, só não estávamos preparados com nossas mochilas, conforme fomos caminhando ficávamos mais convencidos que ainda tínhamos muito que aprender na preparação de mochilas, estávamos com muito peso morto, mesmo assim fomos subindo, foi escurecendo, de uma forma que há tempos eu não via tanto breu, andávamos sem as lanternas como podíamos para economizar energia, a estrada ia ficando cada vez mais inclinada, já estávamos ficando muito cansados, era inverno, lua nova, mas fomos seguindo nosso guia Renato, em um momento senti passos atrás de mim, quando joguei a lanterna achei que era uma raposa, estava nos seguindo, deixamos ela passar, mais perto achei que era um lobo, já que a região é a capital do Lobisomem, porque não ?, Quando ele chegou bem perto, nossos corações voltaram para o peito e vimos que se tratava de um possível cachorro do mato, logo fizemos amizade e ele se transformou no sexto integrante do grupo, percebemos que o cão estava disputando com o Renato quem guiava, demos o nome de Lobo a ele e vimos que ele respondia a voz de comando, começamos a observar seu comportamento conforme íamos caminhando, para nos proteger de ameaças que não víamos, quando ele parava, levantava a orelha e olhava pro mato com os pelos arrepiados, nos também já ficávamos com as facas em mãos e ligávamos todas as lanternas, muitas vezes o Lobo entrava no mato, víamos ele correr e rolar no chão brigando com alguma coisa e voltava todo feliz como se tivesse afugentado algum animal, começamos a ter muito carinho por esse parceiro. 7 horas de caminhada depois, chegamos a rampa de asa delta, o Igor montou a barraca com o Fernando, o Renato e o Marcos foram buscar lenha na mata, e eu comecei a fazer o miojo, sob a observação do Lobo, estava muito frio, escolhemos a rampa sul para acampar, pois a norte ventava muito, tínhamos a sensação de que a temperatura não era maior que 5 graus, fiz um fogo com 1 metro de altura e a panela de água no centro do fogo não fervia, levou muito tempo para esquentar, comemos miojo duro com água morna mesmo, abrimos um vinho, ficamos nos seis sentados na rampa , olhando as estrelas que se fundiam no horizonte com as luzes da cidade, céu limpo, observando e sentindo toda a natureza em silencio, agradecendo a Deus por estarmos ali, depois fomos dormir.
  Acordamos as 7 da manha, com barulhos de vacas passando pela estrada, notamos que o Lobo montou guarda e dormiu na porta da barraca, tomamos nosso café aquecendo na brasa que ainda ardia de nossa fogueira, desmontamos tudo e seguimos adiante, não precisaríamos mais de todas as nossas mochilas para subir o pico, então colocamos toda água e alimento que precisaríamos para mais 5 horas de caminhada em uma mochila apenas, e escondemos as outras no mato para pegarmos mais tarde, na volta. Continuamos agora pela estradinha calçada, passamos pelas torres da Embratel, 100 metros à frente, entramos em uma trilha no mato ao lado do portão de uma pousada, continuamos e logo chegamos a Pedra das Flores, mais um pouco começamos a subir as pedras do Pico do Lopo que dão na Pedra do Cume, já era meio dia, ficamos 2 horas observando o mundo, de pé, a 1780 metros de altura acima do nível do mar, ou a 1 km em relação a Joanópolis, que visão fantástica, valeu todo o esforço, vimos que umas nuvens estranhas estavam se aproximando, então aceleramos a volta, o Igor e o Fernando começaram a sentir os joelhos, começou a chover, eles não conseguiam desenvolver uma boa velocidade, então decidimos eu e o Marcos e o Renato a irmos à frente o mais rápido que pudéssemos para voltar com o carro até aonde desse e resgatar o Igor e o Fernando, chovia muito, caiamos muito, logo escureceu de novo, começamos a rezar para o Igor e o Fernando estarem bem, chegamos a cidade umas 20 horas, pegamos o carro e voltamos para resgatar os dois, os encontramos no caminho, foi um alívio, fomos para casa do Renato aonde a família dele nos recebeu com macarrão quentinho, era tudo que precisávamos, depois deixamos o Lobo na cidade, não dava pra levar um cachorro do mato conosco, achamos que seria crueldade com ele a vida que ele levaria, então com aperto no coração resolvemos deixa-lo, voltamos para São Paulo extremamente cansados por essas 30 horas e 30 km de escalaminhada no gigante.

Participaram : Fernando Boccato, Marcos Daniel, Henrique Boney, Igor Winner, Lobo, e o William  Renato.

  Gigante Adormecido é o nome que se dá a uma formação montanhosa no município de Joanópolis que lembra a silhueta de um homem deitado, nesta formação encontramos 2 rampas de asa delta, a Pedra das Flores, e o Pico do Lopo, com 1780 metro de altura, pode se acessar o pico por Joanópolis ou por Extrema, em Minas Gerais.

  Agradecimentos aos nossos amigos; Isabel,  da prefeitura de Joanópolis; Débora Santos; e a família do nosso guia W.Renato pelo apoio dado.

 




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