Subindo o Pico dos Marins PDF Imprimir E-mail

Imagem AtivaEu vivia lendo relatos e vendo fotos de amigos e conhecidos que subiam o Pico dos Marins, mas nunca dava certo de eu ir, ou eu trabalhava, ou estava sem grana, ou já tinha compromisso, e assim ia sempre aguardando a próxima oportunidade, até que um dia, um casal de amigos, o Marcus e a Anne me enfiaram nessa sem eu saber direito, a Anne só me ligou dizendo “... na sexta você vai com a gente pra Pinda, e no sábado vamos subir o Pico dos Marins, prepara a sua mochila...”, respondi apenas “é? Então tá”.

Em seguida pensei “Poxa, que legal, vou subir o Marins, acho que agora vai dar certo”. E uma semana antes minha mochila já estava pronta. Chegou a sexta-feira tão esperada, no horário combinado eu já estava esperando por eles na Estação Ciência, em seguida fomos buscar o Bob, amigo de infância do Marcus, e fomos pra casa dele em Pinda, meia noite já estávamos dormindo, a alvorada foi as 6, seguimos para Guaratinguetá para encontrarmos a turma da Karine, a Renata, a Cláudia, e a Carol, abastecemos nossas mochilas com água ,já que lá não tem água potável, e seguimos para o município de Piquete pegar mais um amigo, e fomos em seguida para Marmelópolis já em Minas Gerais , direto para a base para deixarmos os carros. Preparação, cumprimentos, e fotos, então juntamos o grupo em +/- 20 pessoas e iniciamos a estradinha que nos levaria para o início da trilha, a previsão era de 7 horas de subida, isso por causa das cargueiras, pois a intenção era de pernoitar e voltar no dia seguinte, e assim fomos caminhando. A subida até o início da trilha foi feita por uma estrada, vimos vários carros e vans no caminho, provavelmente levando grupos pra subir o pico e voltar no mesmo dia, no geral, a subida sem cargueira leva de 3 a 4 horas, realmente estava bem movimentado ali, não era pra menos, o dia estava perfeito, sol pleno e lindo, teríamos lua cheia, e a metade de um eclipse lunar no início na noite, logo paramos para o almoço, levei um Cup Nudles, um salame e uma caixa de queijo polenguinho para o almoço, de sobremesa levei paçoquinha, descansamos e seguimos. Após esta caminhada, iniciamos a trilha de subida, lá no alto avistávamos o cume, era pedra do meio, estava muito longe, olhei pro altímetro, marcava 1800 metros, então até os 2400 havia muita pedra pra subir, e assim fomos, no final da trilha de subida começamos a somente observar pedras, e para orientação, marcas brancas e amarelas nas rochas indicando o caminho, e os totens (pirâmide de pedras sobrepostas colocadas em cima de rochas para indicar o caminho), fomos subindo, escalaminhando, subindo, trepando nas pedras, e subindo, eram pedras grandes, inclusive paredões, mas que dava pra subir sem corda, o que dificultava mesmo era as cargueiras nas costas, volta e meia entalava nas rochas, tinha que tirar a mochila e jogar ou subir ela primeiro, e a minha estava bem pesada, preciso mesmo comprar uma mochila com metade do tamanho desta e levar menos coisas, mochila grande a gente enche de tranqueira, e esgotei minhas pernas nestas pedras, estava subindo bem devagar para não forçar meu joelho, já que estou acima do peso, era melhor prevenir, o bastão de madeira que peguei na base estava sendo muito útil, já que justamente o meu quebrou na trilha da Pedra Lisa em Paranapiacaba, com ele eu estava aliviando meus joelhos em pelo menos 25%, devagar, para o alto, e avante, eu estava subindo, e a paisagem ficando cada vês mais impressionante, fazendo cada esforço ser recompensando pela visão, pelo vento, e pelo silencio das pedras, por incrível que pareça pegamos congestionamento nas fendas, havia muita gente já descendo, encontramos a turma da Paula Cruz, foi engraçado, eu subindo por uma fenda, ela descendo por outra paralela a minha, e a gente conversando aos gritos “e ao xuxu , como vai?”, “ eu vou bem, e vc?”, “poxa, precisamos nos encontrar mais, fazer mais coisas juntos, juntar a turma..”, “é verdade, vamos nos falando, boa descida”, “boa subida pra vcs, curtam a lua...”, e assim foi, conforme fomos subindo encontramos vários grupos descendo, e já nos avisando “vcs vão acampar no cume?, Vão depressa, já está cheio de gente lá , pode ser que vcs não encontrem mais espaço...” Caramba! Começamos a planejar aonde acamparíamos se realmente não tivesse lugar no cume, 7 horas depois chegamos em um plano 10 min antes do cume, como a hora já estava avançada, resolvemos ficar por ali mesmo, e atacaríamos o cume às cinco da manhã para vermos o nascer do sol, o sol já estava se pondo, tínhamos quinze minutos de luz, neste tempo levantei minha barraca, arrumei tudo e ainda deu tempo de ir ver o por do sol, um lindo por do sol, se escondendo atrás das montanhas abaixo de nos, voltei para o lado da minha barraca, agora era a vez de observar o eclipse lunar, embora fosse parcial, estava lindo, o Marcus havia subido com o Bob até o cume para ver o por do sol de lá, e eu fui fazer a janta, levei duas panelas e um refil de gás a mais, o cardápio foi strogonoff de frango, acompanhado de arroz com frango e ervilha, ficou maravilhoso, na hora da fome, tudo é maravilhoso, rs, deu para nos quatro comer bem, tomei um relaxante muscular, um antiinflamatório e fui dormir, oito horas da noite eu já estava desmaiado, talvez até roncando, junto com o vento uivando lá fora e balançando as lonas das barracas, mesmo assim, dormi direto até a meia noite, quando acordei com a luz da lua entrando por uma janela da barraca, iluminando como se alguém estivesse com uma lanterna nos meus olhos, percebi que o vento havia parado, olhei o termômetro e estava 12 graus, era uma temperatura acima das expectativas, tinha gente esperando menos de zero, sorte minha, porque não levei muita roupa de frio, sai da barraca olhando tudo em volta, que espetáculo da natureza, tudo muito calmo, silencio total, e aquela lua iluminando como um pequeno sol, via tudo perfeitamente, uma noite de ficar na memória, me sentei sob uma rocha na ponta do platô, e fiquei observando aquele mundo, que raras vezes eu vejo, eu estava no ponto mais alto que eu já havia ido, ali estávamos a 2300 metros de altitude, e aquela visão me deu muita força, agradeci a Deus por estar ali, me deitei na rocha e fiquei olhando para as estrelas, e comecei a ver riscos no céu, de meteoritos riscando a atmosfera, via pelo menos um a cada cinco minutos, quando percebi já eram duas horas da manha, tinha que dormir mais, descansar, voltei para meu saquinho quentinho, quando foi umas cinco horas veio o Marcus me chamando “Boney, acorda, vamos subir pra ver o sol nascer...”, “humm hummm”, “Boney...”, “To saindo”, lá fomos nós, estava escuro ainda, pegamos os paredões e subimos, rasguei as pontas dos meu dedos nesta escalada, percebi que fomos pelo caminho mais difícil, achei meio insano subir por ali, mas fui, dez minutos depois estávamos no cume, 2420 metros de altitude, com o sol nascendo majestosamente, os raios me penetravam como injeções de animo e energia, lindo, lindo,  lindo,  e percebi que todos os que acamparam no cume estavam de pé, olhando para aquele horizonte, como que recebendo uma medalha de ouro, reluzindo sob a face, aquecendo o coração, iluminando a alma, e renovando o espírito, clareando os pensamentos, como o sol, todos renascendo, prontos para viverem mais e melhor, agradecendo o que Deus nos deu. Oração feita, fotos tiradas, alma lavada, descemos, tomamos nosso café, desmontamos as barracas, e oito e trinta da manha iniciamos a descida, agora quem ia sofrer seria o joelho e o tornozelo, mas as mochilas estavam agora mais leves, havia acabado a comida, a água, e para descer, é mais fácil, porém, não menos perigoso, vários e vários skybundas e 4 horas depois, chegamos ao fim desta maravilhosa aventura, eu estava quebrado, tudo doendo, mas o Marcus ainda teve pique pra participar de uma etapa de um campeonato de Kart com amigos em São José dos Campos, e ainda chegou em terceiro, depois e várias barbeiragens (dos outros, é claro, rs), cheguei em casa depois sem nem conseguir arrastar a mochila de tão cansado.

Valeu Marcus, Anne, e Bob, obrigado por me proporcionarem tão espetacular beleza da natureza.
 
 




Comentários (3)
19-08-2008 11:35
Que lugar lindo, ótimo relato.
Marta
19-08-2008 13:53
Lindo o lugar e o seu relato. Fico encantada com tanta beleza no seus textos e nas suas fotos. Parabéns.
Rebeca
19-08-2008 20:24
Incrível aventura, relato envolvente e fotos fantásticas. Parabéns a você e todos e demais participantes do desafio.
Carlos Eduardo

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